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Notícias


25/09/2007 - Polícia Paraguaia Encobre Roubo de Carros na Fronteira

Por Fernando R. V. Fernandes - SopaBrasiguaia.com


Uma reportagem investigativa realizada pelos jornais ABC Color e Vanguardia revelou detalhes da operação de quadrilhas que roubam carros brasileiros para serem revendidos no Paraguai. A reportagem aponta a participação de autoridades de diversos órgãos paraguaios no esquema.


O paraguaio Gustavo Genes Bogado, conhecido como Orki, aparece como o principal responsável pelo comércio de carros roubados na região.


Segundo os jornais, apesar de ser uma das pessoas mais procuradas pela polícia brasileira, que teria pedido a colaboração da polícia paraguaia, Orki, que tem 6 mandatos de prisão no Brasil, é visto passeando tranqüilamente por Ciudad del Este a bordo de luxuoso veículos roubados do Brasil.


“Não explico como é possível que existam tantos veículos roubados no Brasil que circulam livremente no Paraguai sem que a polícia ou o Ministério Público faça algo. É surpreendente”, declarou um policial brasileiro, consultado pelos autores da matéria.


De fato, as suspeitas do policial brasileiro não são descabidas. Segundo a reportagem, é comum ver policiais paraguaios circulando pelo país em carros de luxo roubados no Brasil, o mesmo valendo para promotores de diversas repartições judiciais, raramente parados em blitze policiais.


Muitos parentes de autoridades também beneficiam-se dos serviços das quadrilhas. O próprio Orki teve seus passos seguidos por agentes da inteligência da Polícia Civil brasileira, tendo seus dados entregues à polícia paraguaia, que nada fez em relação ao caso.


Outra denúncia feita pela reportagem é o fato de que os pátios de algumas delegacias servem como vitrines para as quadrilhas, onde os carros roubados ficam expostos.


Também foi apontado o fato de que a justiça tem “cedido” a chefes de polícia da região de Ciudad del Este, para uso pessoal, veículos em condição de garantia judicial.


Modus Operandi


De acordo com os dados coletados pela equipe investigativa dos citados jornais, a cada veículo roubado em território brasileiro que entra no Paraguai, uma “taxa” deve ser paga às autoridades que deveriam, ao menos na teoria, evitar que tal situação ocorresse.


Um ramo da quadrilha opera no Paraguai, coletando os “pedidos”. Os “clientes” podem, em alguns casos, escolher o modelo, a cor e os assessórios que desejam no veículo.


Uma vez definido o “pedido”, este é repassado aos “agentes” da quadrilha no Brasil, que encarregam-se do roubo e do transporte do veículo até o lado paraguaio da fronteira.